Se o cara não lhe faz rir, desista.
Mau humor é prerrogativa feminina; isso deveria estar na constituição!
O texto é sobre o assunto:
Sobre homens que as fazem rir
Procurei no Google pela expressão “humor equals freedom” (”humor significa liberdade“). Nenhum resultado. O inverso também não existe na Internet. Em páginas brasileiras, só há relação entre humor e liberdade de expressão. Uma pena. O senso de humor guarda a chave central dos relacionamentos amorosos, desde os primeiros instantes da sedução até a morte do parceiro após décadas de convivência.
Não é sem razão que as mulheres valorizam o bom humor nos homens. É comum ouvir algo como: “Eu gosto de homens que me fazem rir”. Ou ainda: “Eu amo ver ele sorrindo para mim”. Essa simples confissão esconde algumas coisas interessantes. O que elas dizem aponta menos para a comicidade e mais para a noção de liberdade, transcendência e plasticidade dos homens – em vez do lúdico, é o aspecto lúcido que importa. Não se trata de homens palhaços ou maliciosamente inteligentes (piadistas e sarristas de plantão), mas de homens sábios, que conseguem transitar entre diferentes universos e linguagens, sem muitas fixações e prisões. Simples assim: se o humor vem de um automatismo ou condicionamento, ele repele; se brota da liberdade, é absolutamente irresistível.
Hours concours em Cannes, um dos filmes de maior sucesso no badalado festival francês foi “Ágora”, direção de Alejandro Amenabar. A estrela é a inglesa Rachel Weiz, premiada com o Oscar 2006 de melhor atriz coadjuvante em “O jardineiro fiel”, dirigido por Fernando Meirelles.
Em “Ágora” ela interpreta Hipácia, única mulher da Antiguidade a se destacar como cientista. Astrônoma, física, matemática e filósofa, Hipácia nasceu em 370, em Alexandria. Foi a última grande cientista de renome a trabalhar na lendária biblioteca daquela cidade egípcia. Na Academia de Atenas ocupou, aos 30 anos, a cadeira de Plotino. Escreveu tratados sobre Euclides e Ptolomeu, desenvolveu um mapa de corpos celestes e teria inventado novos modelos de astrolábio, planisfério e hidrômetro.
Neoplatônica, Hipácia defendia a liberdade de religião e de pensamento. Acreditava que o Universo era regido por leis matemáticas. Tais ideias suscitaram a ira de fundamentalistas cristãos que, em plena decadência do Império Romano, lutavam por conquistar a hegemonia cultural.
Em 415, instigados por Cirilo, bispo de Alexandria, fanáticos arrastaram Hipácia a uma igreja, esfolaram-na com cacos de cerâmica e conchas e, após assassiná-la, atiraram o corpo a uma fogueira. Sua morte selou, por mil anos, a estagnação da matemática ocidental. Cirilo foi canonizado por Roma.
O filme de Amenabar é pertinente nesse momento em que o fanatismo religioso se revigora mundo afora. Contudo, toca também outro tema mais profundo: a opressão contra a mulher. Hoje, ela se manifesta por recursos tão sofisticados que chegam a convencer as próprias mulheres de que esse é o caminho certo da libertação feminina.
Na sociedade capitalista, onde o lucro impera acima de todos os valores, o padrão machista de cultura associa erotismo e mercadoria. A isca é a imagem estereotipada da mulher. Sua autoestima é deslocada para o sentir-se desejada; seu corpo é violentamente modelado segundo padrões consumistas de beleza; seus atributos físicos se tornam onipresentes.
Onde há oferta de produtos – TV, internet, outdoor, revista, jornal, folheto, cartaz afixado em veículos, e o merchandising embutido em telenovelas – o que se vê é uma profusão de seios, nádegas, lábios, coxas etc. É o açougue virtual. Hipácia é castrada em sua inteligência, em seus talentos e valores subjetivos, e agora dilacerada pelas conveniências do mercado. É sutilmente esfolada na ânsia de atingir a perfeição.
Segundo a ironia da Ciranda da bailarina, de Edu Lobo e Chico Buarque, “Procurando bem / todo mundo tem pereba / marca de bexiga ou vacina / e tem piriri, tem lombriga, tem ameba / só a bailarina que não tem”. Se tiver, será execrada pelos padrões machistas por ser gorda, velha, sem atributos físicos que a tornem desejável.
Se abre a boca, deve falar de emoções, nunca de valores; de fantasias, e não de realidade; da vida privada e não da pública (política). E aceitar ser lisonjeiramente reduzida à irracionalidade analógica: “gata”, “vaca”, “avião”, “melancia” etc.
Para evitar ser execrada, agora Hipácia deve controlar o peso à custa de enormes sacrifícios (quem dera destinasse aos famintos o que deixa de ingerir...), mudar o vestuário o mais frequentemente possível, submeter-se à cirurgia plástica por mera questão de vaidade (e pensar que este ramo da medicina foi criado para corrigir anomalias físicas e não para dedicar-se a caprichos estéticos).
Toda mulher sabe: melhor que ser atraente, é ser amada. Mas o amor é um valor anticapitalista. Supõe solidariedade e não competitividade; partilha e não acúmulo; doação e não possessão. E o machismo impregnado nessa cultura voltada ao consumismo teme a alteridade feminina. Melhor fomentar a mulher-objeto (de consumo).
Na guerra dos sexos, historicamente é o homem quem dita o lugar da mulher. Ele tem a posse dos bens (patrimônio); a ela cabe o cuidado da casa (matrimônio). E, é claro, ela é incluída entre os bens... Vide o tradicional costume de, no casamento, incluir o sobrenome do marido ao nome da mulher.
No Brasil colonial, dizia-se que à mulher do senhor de escravos era permitido sair de casa apenas três vezes: para ser batizada, casada e enterrada... Ainda hoje, a Hipácia interessada em matemática e filosofia é, no mínimo, uma ameaça aos homens que não querem compartir, e sim dominar. Eles são repletos de vontades e parcos de inteligência, ainda que cultos.
Se o atrativo é o que se vê, por que o espanto ao saber que a média atual de durabilidade conjugal no Brasil é de sete anos? Como exigir que homens se interessem por mulheres que carecem de atributos físicos ou quando estes são vencidos pela idade?
Pena que ainda não inventaram botox para a alma. E nem cirurgia plástica para a subjetividade.
Frei Betto é escritor, autor de “A arte de semear estrelas” (Rocco), entre outros livros.
Vou te contar, viu. E ainda há cérebros anacrônicos por aí que dizem que mulheres são complicadas. É porque não estão em mim e não conheceram os homens que conheci. Mulheres são de vênus? E os homens são da puta que o pariu! Fácil era no tempo da vovó, quando a gente não podia pensar muito. Vou acabar ficando como Hilda Hilst que quando via um homem pelado se perguntava : Mas é só isso? Vai ver que é isso mesmo. Só isso. Mas isso o quê? Que diabo são homenns? Na verdade eu há muito tempo acho que prescindo deles, quem os exigem são meus hormônios...ah! Se eu não os tivesse tantos ainda...não estaria aqui a essa hora escrevendo tais tolices...mas, ui,ai, nem escrevo como a velha Hilda e nem os tenho visto tão pelados assim. Fato é que sinto arrepios de imaginar minha existência sem eles e aquela coisa que só eles têm. Leonor falou que em alguns casos é melhor jogar areia quente, que passa. Vá lá, que minha amiga tenha relativa razão, mas se eu pensasse como ela ia estar aqui hoje reclamando de assaduras em último grau na prexereca. Acho que, em alguns casos, foram todos os casos que tive.
O espaço aqui tá abandonadinho, né? Quando criei isso aqui pensei que ia bombar de amigas e colaboradoras para escrever nele. Que nada. A mulherada entra, algumas dão gritinhos, já vi umas até cobrirem os olhos, outras acham legal, mas é só. Nem deixam comentários... Aí eu broxei, né? Aliás, mulher broxa?
Hoje dando um rolê na Net achei um BLOG parecido com o que eu pretendia fazer aqui. MULHERES QUE CORREM COM OS LOBOS. O nome do Blog pra quem não sabe - porque provavelmente não mora nesse planeta - é um trocadilho com título dolivro da yunguiana contadora de histórias ESTES, CLARISSA PINKOLA- na minha opinião livro de cabeceira de mulher atenta.
"Ou a gente é puta, ou cozinheira. Ou a gente é boa pra casar, ou é boa pra foder. Ou a gente é amante, ou é mãe. Será que ainda não repararam que a gente não se resume a essas dicotomias baratas? Esse blog é pra deixar isso bem claro, com muito bom humor. Recomendo às mulheres que o leiam, pra evitar uma porção de frustrações, conflitos internos e muita grana em terapia. E, aos homens, para poderem, novamente, serem chamados de gente. Ou... vão ser botados pra correr!"
-- Associação de dor com sexualidade é característica das sociedades de dominação.
-- Na pré-história os homens reagem à escassez de alimento ou de recursos se unindo, excluindo as mulheres da cerimônia de poder masculinas. Voltando a agressão contra elas.
-- Na Europa pré-histórica apareceram os indo-europeus de Kurgan, pastores. Foi o fim de uma civilização de parceria. Surgiram culturas nas quais valores “femininos” foram destruídos. Converteram-se em sociedades nas quais a guerra “heróica” e o governo de uma pequena elite masculina, governo da força e do medo, passaram a ser a norma.
-- Esse pastoralismo nômade instala-se em terras inférteis ou tornadas inadequadas para a agricultura. Mas ele não é só o resultado de ambientes inóspitos: também causa o ambiente inóspito.
-- Usa, como tecnologia, a escravidão de seres vivos, de animais, do que produzem. Animais são domesticados, desde pequenos até a idade adulta e, depois, são mortos e devorados.
-- O pastoralismo não conduz necessariamente à escravidão; e povos agricultores também eram escravistas – tribos primitivas da África ou estados como Atenas e a América do Sul dos séculos 18 e 19.)
-- É afastada, é evitada a empatia ou o amor por criaturas que devem ser mortas. O que pode explicar a insensibilização de emoções mais “sutis”, que caracteriza a sociedade de dominação.
-- O treinamento de oficiais nazistas da SS incluía a criação de filhotes de animais que alimentavam, com os quais brincavam, dos quais cuidavam. Depois, matavam-nos sem demonstrar emoções.
-- Se habituados a viver de animais escravizados como única fonte de subsistência, habituamo-nos a admitir a escravidão de seres humanos.
-- Da supressão do afeto e do amor resulta um afeto embotado, uma redução da capacidade de responder a outros afetos que não raiva, desrespeito e emoções “duras”.
-- Sofrer a dor, no homem, é coragem; na mulher, masoquismo. A sociedade de dominação criou esse conceito.
-- O escravismo vê metade da humanidade como peças de propriedade a serem controladas. E a escravização e abate de animais para subsistência também fundamenta a visão da mulher como procriadora ou tecnologia sexual reprodutiva. Como propriedade do homem, cuja sexualidade tem como função ser controlada e servir aos “proprietários” homens.
-- Ainda hoje, entre certos povos tribais, o amor sexual entre casais é considerado – corretamente, aliás – um perigo para a preservação das hierarquias do poder masculino. Entre beduínos egípcios, o amor sexual é desencorajado. Desejo e amor são equiparados à dependência – inimigos da independência, o valor mais ligado à honra.
Riane Eisler, em O Cálice e a Espada (editora Via Optima, Porto, Portugal, 1998) e O Prazer Sagrado - Sexo, Mito e Política do Corpo (editora Rocco, 1996).
Neuza- esposa de Tom Zé- é quem deve de saber das coisas... É ela quem nos podia dar um dos mais amorosos e solidários relatos de amor, sei lá... Afinal de contas porque o macho Tom Zé faria uma homenagem às fêmeas dessa grandeza?